Diário de um flamenco

Texto de ficção inspirado nas informações e fontes presente no livro Uma Breve história do Brasil de Mary del Priore.

Diego Zoppi

I

Estamos em 1615, Fevereiro. Minha Viagem para a terra nova começava hoje. Estava indo ao Rio de Janeiro para uma pesquisa sobre os Engenhos e sobre como é a vida dos escravos.

Já era hora de partir. Peguei minha bolsa, coloquei meus materiais (prancheta de desenho, bloco de anotação, grafites) e parti.

A viajem foi longa, durou mais ou menos 60 dias e 60 noites, até que finalmente cheguei. Fiz uma breve pintura do local e aguardei o Senhor do Engenho, pois em sua casa me hospedaria. Não tardou muito para que o senhor chegasse, este veio acompanhado por quatro homens, que o carregavam em uma liteira. Já estava anoitecendo, o homem me convidou a sentar na liteira para que os quatro homens que o acompanhavam nos levassem, esses homens que por certo eram negros. Fiquei um pouco indignado com o fato de que outros homens fossem obrigado a nos carregar, achei uma injustiça, porém aceitei sem contestar.

Partimos. A casa do Senhor do Engenho, que durante a viajem se apresentou como João, não era muito longe da praia e chegamos rapidamente ao local.

Lá conheci sua mulher, Maria, e sua filha, pequena Manuela, estas nos esperavam para jantar. Percebi também que na casa haviam varias mulheres negras e mulatas prontas para nos serviam na mesa, estas não se juntaram para jantar, o que achei estranho.

Logo depois da janta, João pediu que uma dessas mulheres me mostrasse o quarto, onde, depois de longa viajem, pudesse descansar.

Meu quarto era bem espaçoso. Acomodei minhas coisas e me joguei na cama.

II

No dia seguinte fui acordado pela luz forte que entrava pela janela. Levantei-me da cama, e procurei alguém da casa. Logo encontrei Maria e Manuela que estavam sentadas à mesa. Maria ensinava a Manuela a ler. Havia outras crianças e duas mulheres sentadas ao chão, estas ajudavam Maria com os pergaminhos e livros, porém não liam. Ao ver aquilo me subiu a adrenalina e quase me escapa a pergunta do porque aquilo, por que os negros eram tratados como animais?

Ao me passar a adrenalina, perguntei a Maria onde estava João, esta me disse que estava lá fora; me aguardava para que eu pude-se começar minha pesquisa.

Saí em busca de João, encontrei-o á observar negros cortando a cana. Me posicionei a seu lado e não me resisti, perguntei o porque daquilo, o que recebiam em troco de tanto trabalho? João calmamente disse:

 

Percebi que algo o incomodava, agora sei o que é – Após um longo tempo interrupto continuou – São escravos, é o que devem fazer, eu paguei por eles, agora sou seu Senhor.

Ao ver tal resposta, e a maneira em que respondida, tão calmamente, fiquei pasmo. Não comentei nem perguntei mais nada, e continuamos a contemplar os escravos. Então João comentou:

Já observou bastante de como eles cortam a cana, diga-me, o que aprendeu?

Bom… Eles usam facões e foices, e fazem movimentos leves para corta-la – Respondi um tanto nervoso.

Sim, exato – Disse João. Em seguida convidou – Não gostaria de ver como a cana é transformada no açúcar que tú conheces?

Claro – Respondi sem pestanejar.

Ele me levou então a uma casa isolada.

Lá havia três escravos trabalhando em uma maquina. Esta era o novo moinho.

A maquia era formada por um tronco de arvore, que dois escravos faziam girar; o tronco estava em conexão com os trituradores de cana e fazia com que eles funcionassem. Um terceiro escravo colocava a cana e tirava do moedor até que retirasse todo seu caldo. O caldo de cana caía em um recipiente, depois era esquentado até ficar sólido, e moído para ficar em grãos, que é o que chamamos de açúcar.

 

III

 

Já tarde,João e eu fomos para a casa dele para jantar e descansar. Percebi que João me olhava com aparencia estranha durante o jantar. Antes de ir dormir João me anunciou que iríamos a um lugar diferente no dia segunte.

Durante a manhã, João me acordou. Mal havia acordado quando João tampou minha boca, me prendeu e me levou para a mata; totalmente assustado e confuso tentei me soltar, mas vão, pois outro homem também estava me segurando.

Um dos homens estava armado. Já um tanto metidos na floresta, João me mostrou meu livro de anotações. E então disse:

Pensou que poderia nos enganar bancando o cientista, seu espiãozinho – exclamou – Nós encontramos seu caderno de anotações, contém informações de como é o local, de como trabalhamos, se você quisesse mandava uma carta para Holanda ela teria um belo plano para invadir!

Sem falar nenhuma outra palavra, olhou nos meus olhos, pegou a arma, e “bum”, vi um flash de luz, e morri.

_______________________________________________________________

O texto acima constitui parte de um projeto de criação e publicação de textos dos alunos do 8º. Ano da manhã e da tarde em uma Revista de História. Os textos deveriam envolver problemas históricos discutidos em aula, com base no capítulo V do livro Uma Breve História do Brasil de autoria da historiadora Mary del Priore.

Os alunos, na ocasição, deveriam encarnar olhares estrangeiros (europeus) sobre o Brasil de meados do século XVII. Todos deveriam construir personagens que viajariam para o Brasil e descreveriam os engenhos de açúcar e sua complexa estrutura ou a dura vida dos homens escravizados (a maioria de origem africana) e alguns aspectos de sua cultura ou a relação com os senhores.

 Prof. Rafael Gonzaga

Categoria: Sem categoria Tags: , , , .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *